20 de nov. de 2008

Na cidade mineira de Alterosa, infovia municipal traz modernização

Palavra do prefeito

"A internet cidadã é o que permite a verdadeira inclusão social. Precisamos diminuir as distâncias do ser humano no planeta, integrando todos os cidadãos em rede.”

Dimas dos Reis Ribeiro


Situada na transição do sul para o sudoeste mineiro, com economia calcada na produção de café e leite, a pequena cidade de Alterosa tem grandes aspirações. Com apenas 13.500 habitantes e 366 quilômetros quadrados, a cidade já tem um núcleo da Universidade Aberta do Brasil (UAB), internet gratuita para os cidadãos e interligação de escolas, postos de saúde e secretarias. Os planos agora são de implantação, em breve, de VoIP e câmeras IP de monitoramento. Tudo isso possibilitado pela infovia municipal de 4 Mbps.

À frente do projeto, acompanhando de perto e ciente de todos os dados, está o prefeito Dimas dos Reis Ribeiro. Proveniente do meio acadêmico, o prof. Dimas, como é conhecido, é quem capitaneia a idéia. "A idéia partiu da noção de que projetos como este dão perspectiva de futuro, de pós-modernidade", explica ele. "A internet cidadã é o que permite a verdadeira inclusão social", continua. "Precisamos diminuir as distâncias do ser humano no planeta, integrando todos os cidadãos em rede. Ao mesmo tempo, sabemos que um jovem morador de Alterosa, dispondo de conexão, pode trabalhar para uma empresa de Taiwan, por exemplo".

É com essa base conceitual que o projeto, com custo de implantação de R$ 86 mil, vem sendo realizado. E foi também isso que balizou a opção de disponibilizar gratuitamente internet nos lares. Atualmente, 500 casas já contam com acesso livre à web, a uma velocidade de 56 Kpbs. "Reais", enfatiza o prefeito. Para requisitar acesso em casa, é preciso estar em dia com os tributos municipais. Em seguida, os critérios aplicados são, em ordem de prioridade: ser estudante de educação à distância, ser estudante, ser professor de educação à distância, ser professor e ser da comunidade em geral.

Internet nas casas, na Universidade Aberta e nos órgãos públicos

As casas que até agora dispõem de acesso gratuito à internet estão situadas na área urbana e no distrito de Cavacos, a 12 quilômetros do centro de Alterosa. Já há um projeto submetido ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para expandir o acesso à internet até a zona rural.

O sinal circula pela cidade através da tecnologia Wi-Mesh, passando pelas três torres instaladas. A banda de 4 Mbps — contratada à concessionária Oi, por R$ 8.700 mensais — é "loteada": 2 Mbps ficam disponíveis para o acesso domiciliar, 1 Mbps é destinado ao uso na UAB (que tem 200 computadores conectados à rede) e 1 Mbps é reservado para os órgãos públicos.

Estes últimos, conectados já na primeira etapa do projeto, incluem os sete pontos da rede municipal de saúde (cinco unidades de saúde, Secretaria de Saúde e o laboratório municipal de análises clínicas), as oito instituições da rede educacional (o total de sete escolas municipais e a UAB) e as nove secretarias de governo, além, claro, da própria prefeitura. Nos finais de semana, quando os órgãos e prédios públicos não estão em funcionamento, os 2 Mbps que esses grupos normalmente utilizam são redirecionados para utilização da rede que vai até a casa das pessoas. "O período é justamente aquele em que as pessoas mais usam em seus lares", explica o prefeito.

Para fins de inclusão digital, existem dois telecentros na cidade, que funcionam dentro de duas escolas da rede municipal, ficando abertos até aproximadamente 22h. Há ainda quatro laboratórios na UAB, cada um com 30 computadores, disponíveis para uso livre da população em geral. Para ampliar ainda mais as possibilidades dos cidadãos de Alterosa de conexão à internet, a prefeitura instalou também três pontos Wi-Fi em praças da cidade. "Se alguém chegar com o notebook na nossa cidade, tem como se conectar", orgulha-se o prof. Dimas.

A terceira etapa do projeto de Cidade Digital de Alterosa (a segunda foi a disponibilização de acesso domiciliar gratuito à web) será a extensão do sinal à zona rural e a quarta, a instalação de uma rede de telefonia VoIP nos órgãos públicos e de câmeras IPs de alta resolução, para realizar o videomonitoramento de segurança na cidade. "Prevemos uma redução de R$ 5 mil, ou 80%, nas contas telefônicas, pois vamos diminuir drasticamente os custos para falar entre os próprios órgãos municipais, já que estaremos todos na mesma rede", adianta o prefeito.

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